domingo, 27 de novembro de 2011

O IIRSA e a resistência popular.

Estabelecido em 2000 pelos governos de 12 países da América do Sul, com exceção da Guiana Francesa, o Plano IIRSA (Iniciativa para Integração da Infraestrutura Regional Sul Americana) pretende integrar fisicamente todo o continente por meio de ações conjuntas nas áreas de transportes, energia e telecomunicações.
O plano é financiado pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Social) e Corporação Andina de Fomento (CAF), e prevê a realização de 524 projetos, entre obras locais e internacionais, distribuídos em eixos regionais. As ideias começaram a sair do papel em 2007, mas o plano ganhou impulso no final de 2009, ao ser incorporado pela União de Nações Sulamericanas (UNASUL), com previsão de investimentos na ordem de US$ 74,5 bilhões, entre recursos públicos e privados.
Declarados pelo BID, os objetivos do IIRSA são: abrir os mercados mundiais, promover a iniciativa privada e retirar o Estado da atividade econômica direta. Ou seja: cabe aos Estados disponibilizar os recursos naturais — como água, petróleo, minérios e florestas — para a exploração das empresas multinacionais.
As duas primeiras obras do IIRSA já concluídas foram feitas no Brasil: a ponte Assis Brasil, na fronteira do Acre com o Peru; e a do rio Tacutu, na divisa entre Roraima e Guiana. O Brasil tem liderado a execução das obras do IIRSA com a incorporação de vários dos seus projetos pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), principal política pública de investimentos adotada pelo governo Lula e por sua sucessora, Dilma Roussef.
Iniciativa semelhante está acontecendo na América Central sob o nome de Plan Puebla Panamá – Projeto Mesoamérica. Juntos, os dois planos abrangem toda a região da América Latina e seus impactos atingem todos os povos dos países envolvidos.

Impactos
Somente no Brasil, os impactos afetam comunidades indígenas, populações tradicionais e ribeirinhas em 137 Unidades de Conservação, que correspondem à metade de toda a área demarcada para preservação no país, através da construção de usinas hidrelétricas, rodovias, ferrovias e instalação de fibras óticas, entre outras obras de infraestrutura. Na Amazônia, 322 áreas — hoje consideradas prioritárias para a preservação pelo Ministério do Meio Ambiente — serão afetadas pelo IIRSA através do PAC.
Entre a constante pressão dos setores empresariais do agronegócio e construção civil, e a rejeição de setores populares e ambientalistas, a atual proposta de alteração do Código Florestal viabiliza a devastação destas áreas; por outro lado, a gradual flexibilização das leis trabalhistas posibilita a mão de obra barata, com a precarização do trabalho.
A suposta integração dos países proposta pelo IIRSA pode se traduzir, pois, em mero escoamento da produção para o exterior e saqueamento dos recursos naturais. Por isso, o tema escolhido para o Encontro Latinoamericano de Organizações Populares Autônomas (Elaopa) em 2011 foi o papel dos movimentos populares na resistência a essas iniciativas.

Organização e resistência

Realizado de 22 a 24 de janeiro, no Centro de Formação do MST, em Jarinu, interior de São Paulo, a nona edição do Elaopa reuniu cerca de 400 pessoas entre ativistas independentes e representantes de coletivos, movimentos e organizações sociais para discutir ações de resistência ao Plano IIRSA.
Pautadas na luta de classes e na identidade dos povos originários da América Latina, essas organizações têm em comum princípios como a democracia de base, a solidariedade de classe, a luta popular e a autonomia dos povos. Elas se autodeclaram autônomas em relação a partidos políticos, governos, ONGs e empresas.  
A troca de experiências, com relatos de militantes de todo o país, além da presença de pessoas da Costa Rica, Haiti, Uruguai, Argentina e Chile, entre outros, fez do Elaopa um espaço de articulação e solidariedade, ligando os pontos das diversas lutas dispersas na América Latina, de modo que os ativistas se reconheceram como muitos, por toda a parte do continente, com grande força e criatividade.
Com a repentina chuva no segundo dia, ficou clara a imediata solidariedade e especialmente o apoio mútuo que permitiu, em poucos minutos, deslocar dezenas de barracas de acampamento para local mais adequado e protegido.
Durante o encontro, houve também uma reunião de voluntários do Centro de Mídia Independente Brasil, com a participação de ativistas independentes e coletivos de várias cidades, como Brasília, Recife, São Paulo e Florianópolis. A proposta foi apresentar o Centro de Mídia Independente, seu histórico e os diversos coletivos em cidades do país, além daqueles presentes ao Elaopa. O CMI se apresentou aberto à entrada de novos voluntários, que naquele momento se integraram ao grupo e iniciaram atividades nos coletivos locais nos dias que se seguiram ao IX Elaopa.
Divididos em 8 comissões, os 400 participantes do Elaopa analisaram os impactos que já estão acontecendo localmente e propuseram uma agenda conjunta de ações de resistência, destacando datas simbólicas de luta na América Latina durante o ano.
As principais ações foram: a pesquisa de material sobre o IIRSA para a criação de um banco de informações e elaboração de material explicativo a ser distribuído nas comunidades; encontros regionais ou por países anualmente para fortalecer a articulação local; e ações simultâneas de muralismo, como táticas de difusão de informações sobre estes impactos, base para a resistência de organizações e coletivos populares autônomos.
A partir de articulações que tiveram início durante o IX Elaopa, o muralismo, muito difundido no Chile, tem ocorrido desde fevereiro na região do ABC e na cidade de São Paulo, como vem relatando o blog Arte Libertária. 

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

1ª Marcha da Periferia/SP.

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O QUE COMEMORAR NO DIA 20 DE NOVEMBRO?


rj-zumbiVinte de novembro é o chamado “Dia da Consciência Negra”. É um dia com shows de musica negra, milhares de capoeiristas demonstrando sua arte, são várias apresentações de dança-afro, inúmeros concursos de beleza negra etc. em diversos eventos que acontecem por todo Brasil. Essa data não foi escolhida por acaso. Foi em 20 de novembro de 1695 que Zumbi foi assassinado comandando a luta pela libertação do povo preto contra os senhores de escravos – a classe dominante de sua época. Quando esses senhores descobriram que era mais caro manter um escravo do que pagar salário, e que, com tantas revoltas escravas, a qualquer hora o povo preto poderia tomar o poder (como foi no Haiti em 1804), eles aboliram a escravidão. Mas é bom que se saiba que até 13 de maio de 1888 o Brasil era o único país a viver sob um sistema escravista. Por quase 400 anos não foi permitido ao nosso povo se desenvolver como seres humanos, até porque por todo esse tempo fomos vendidos, trocados, comprados, descartados... como coisas. Trezentos e dezesseis anos após a morte de Zumbi, e 123 anos depois da lei áurea vemos que o povo preto ainda não se libertou. Nosso povo ainda é escravo. Escravo das drogas, da TV, prisioneiro da pobreza e da miséria, do desemprego, do subemprego, do analfabetismo, da criminalidade, da violência policial e de todo tipo de atraso. Até hoje nosso povo está acorrentado à ideologia da classe dominante branca que faz com que nos sintamos inferiores em vários aspectos. Faz com que as pretas só se sintam belas se seus cabelos estiverem alisados ou “relaxados”, sem perceber que só quem ganha com essa mentira são, principalmente, os fabricantes dos produtos químicos que elas consomem. E o que é pior: muitos dos nossos irmãos não conseguem nem se reconhecerem como pretos ou negros.

rj-varrendoGeralmente recorrem a termos intermediários como moreno/a, mulata/o, marrom bom-bom, entre outros mais esquisitos ainda. Porém, para os vigias que controlam as portas giratórias dos bancos, seguranças de shoppings e lojas de departamento, policiais e empregadores, não existe confusão. Eles sabem muito bem quem é quem. Por exemplo, vejamos o que nos revela pesquisa do IPEA de 2003 sobre a diferença entre os salários de trabalhadores/as preto/as e trabalhadores/as branco/as: O salário médio de um homem branco é de R$ 931,00, enquanto o salário médio do preto é de R$ 428,30. Acrescentando a essa discussão a questão de gênero, as coisas pioram. A mulher branca ganha em média R$ 554,60, ao passo em que as pretas ficam só com R$ 279,70. No país das desigualdades o homem branco ganha em média mais que o triplo que a mulher preta. Dos mais de 14 milhões de analfabet@s no país, 10 milhões são pret@s. Em 2002, segundo a ONU, o Brasil se colocava no 73º lugar no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Porém, se o país fosse dividido em dois – um preto e um branco – o Brasil branco estaria em 44º lugar, enquanto o Brasil preto cairia para 105º colocação.

A taxa de homicídios entre o povo preto é o dobro da registrada entre @s branc@s. Pesquisa realizada pelo sociólogo Ignácio Cano revela que do total de pessoas mortas pela policia do Rio de Janeiro – a policia que mais mata no mundo todo – 70,2% são pardas e negras. Em outras palavras, para cada mil pessoas que a policia fluminense mata 702 são afrodescendentes. Se você tem ou o cabelo crespo, ou o nariz espalhado, ou os lábios grossos, ou a pele escura, ou mais de uma dessas características e ainda não se considera preto ou preta, a burguesia, o Estado e o seu braço armado não têm a menor duvida. E se o ECA não resolveu os problemas de nossas crianças e adolescentes, nada podemos esperar desse Estatuto da Igualdade Racial – que inclusive se omitiu sobre as cotas raciais nas universidades. Também pouco podemos esperar das secretárias dos Direitos Humanos e da Igualdade Racial. Basta lembrar que no casso das declarações racistas e homofóbicas dadas pelo deputado federal Jair Bolsonáro (PP-RJ) em um programa de TV, o que essas secretárias fizeram de mais relevante foi divulgar notinhas de repudio.

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Em curso, temos os preparativos para os megaeventos esportivos que vem agindo de forma cruel e brutal nas cidades que os sediarão, impulsionando as remoções das favelas e mandando esses moradores para lugares longínquos, sem a infraestrutura adequada, tornando suas vidas ainda mais difíceis. E o Haiti – referencia histórica para o povo preto de todo o mundo por ter sido o primeiro país a ter posto fim ao escravismo colonial, através de uma revolta de escravos – hoje sofre uma violenta intervenção militar comandada pelo Brasil. E o massacre do povo preto haitiano (que o MV Bill escondeu no Faustão, quando da sua aparição no programa mostrando as “benesses” da missão militar naquele país), um compromisso assumido pelo governo Lula e mantido por Dilma, é a moeda com a qual nossos governantes querem pagar por uma cadeira no Conselho Permanente de Segurança da ONU. Isso tudo nos alerta sobre a necessidade de o povo preto estar mobilizado para a luta constantemente. Principalmente por que não podemos contar também com a totalidade da nossa esquerda, já que um amplo setor ou considera a nossa causa fragmentária para a luta de classes, ou dizem que a nossa bandeira é transversal/culturalista, ou temem pôr em risco os privilégios garantidos por suas brancuras, com relação ao povo preto.

Zumbi teve sua cabeça cortada por Domingos Jorge Velho porque liderava o maior centro de resistência contra a escravidão. Para ele não bastava a garantia de que o quilombo não seria mais atacado – como rezava o acordo firmado entre a classe escravista e Ganga Zumba, antecessor de Zumbi na liderança de Palmares. A sua luta era pela libertação de todo o povo preto do Brasil. Ele não morreu só para que hoje pudéssemos tocar pagode, nem só para que pudéssemos dançar musica afro, nem só para termos o direito de fazer concursos de beleza negra. Ele morreu na luta pela nossa libertação, que não veio com a lei Áurea. Por isso, mais do que ser um dia de manifestarmos a nossa riqueza cultural, esse é um dia de manifestarmos nossos anseios de um mundo sem dominadores e dominados (motivo único pelo qual o homenageado foi morto).

Que as nossas manifestações artísticas sejam instrumentos de mobilização, e canais de propagação de uma proposta de luta por um mundo sem senhores, como prega o hino da classe trabalhadora, o hino d’A Internacional:

"Bem unidos façamos
Nesta luta final
Uma terra sem amos
A Internacional."

ü PELAS COTAS RACIAIS NAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS

ü PELA IMEDIATA RETIRADA DAS TROPAS BRASILEIRAS DO HAITI

ü PELA TITULARIZAÇÃO DAS TERRAS DAS COMUNIDADES QUILOMBOLAS

ü PELA REFORMA AGRÁRIA

ü CONTRA A CRIMINALIZAÇÃO DE PRETOS E POBRES

ü PELO FIM DAS REMOÇÕES E DESPEJOS DOS MORADORES DE HABITAÇÕS POPULARES

Assinam este manifesto: Coletivo de Hip Hop LUTARMADA (RJ), Hip Hop Fronteira (PR), Movimento Hip Hop Aliados Pelo Verso (SE), Movimento Hip Hop Chapecó (SC), Movimento Hip Hop Livre (SP)

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Um rapper a menos pro Hip-Hop militante, um rapper a mais pra burguesia!

Na conjuntura atual o governo do PT “que moldou e cooptou as reivindicações de vários movimentos sociais, para melhor adequar ao estado burguês”, é hoje, evidentemente um governo subserviente da burguesia e pro-imperialista, submisso ao neoliberalismo e comprometido com a ordem estabelecida pelos banqueiros, empresários e latifundiário que lucram com a mercantilização do sistema educacional, sistema de saúde, de moradia, com a exploração do trabalhador em todo âmbito do mercado de trabalho, ou seja, em todo esfera em que o capitalista possa dar sentido ao seu modo sangue suga de exploração dos recursos naturais e humanos.
O governo de lula e Dilma que comprometidos com a ordem vigente imposta pelo imperialismo americano fazem o jogo sujo, cruel e desumano de ocupação do Haiti liderando as tropas da ONU nas quais dizem estar fazendo uma ajuda humanitária para restabelecer a ordem no país haitiano, porem ao contrario do que o governo e os meios de comunicação em massa falam a realidade é bem diferente, grupos de direitos humanos e movimentos sociais que estão no Haiti denunciam constantemente a truculência das tropas da ONU onde os mesmos invadem as casas nos bairros mais miseráveis violando os direitos humanos, assassinando, estuprando, oprimindo e brutalizando qualquer tentativa de manifestação do povo empobrecido, e tudo isso com o emblema de “ajuda humanitária”, esse é o outro lado da moeda em que o governo de Lula/Dilma e a mídia burguesa não mostram.
O estouro dos distúrbios sociais no Haiti é a consequência do acumulo de incompetência dos governos que sempre privilegiaram uma elite haitiano e com a submissão e subserviência aos E.U.A., que no decorrer do processo histórico gerou as desigualdades econômicas, politicas e sociais que foi e é o fator gerador do empobrecimento e da violência em que o povo haitiano vem sofrendo, esse fato político-social não consta nos discursos dos representantes do governo brasileiro e nem na mídia burguesa. E pra que a manipulação das massas (de que as tropas da ONU estão ajudando a reestabelecer a ordem no Haiti) seja disseminada, foi necessário fazer uma propaganda perversa de enganação, pois o pacote de dominação opressiva não é só militar é também cultural e nesse jogo de opressão imperialista tudo é valido pra contribuir aos seus planos de dominação estadunidense, ate ícones de grande expressão do hip hop brasileiro como mvbill, que tanto denunciou em suas letras a prepotência das autoridades, o descaso social, o racismo e a guerra interna nas favelas, esteve andando pelas quebradas do Haiti de mãos dadas com as tropas de ocupação da ONU. É vergonhoso porem verdadeiro, Mv Bill que outrora representava certo perigo (pelo menos em suas letras) para os playboys e para o sistema capitalista cantando versos do tipo... “o sistema de racismo é muito eficaz, pra eles um preto a menos é melhor que um preto a mais”... Mv Bill que esteve lá no Haiti e viu de perto o sofrimento da população dilacerada pelo caos social e ao contrario de seus versos contundentes, fez jus não aquilo que ele tanto cantava, passou para o outro lado da trincheira conciliando e exaltando o opressor, pois Mv Bill disse que “as criancinhas haitianas ficam felizes com a presença das tropas” e isso realmente demonstra o caráter conciliador de Mv Bill com o governo de lula e Dilma e com a potencia imperialista, pois o governo brasileiro subordinado aos interesse estrangeiros, não serve para o povo e sim se serve do mesmo para fazer o jogo cruel e macabro do poderio capitalista estadunidense. Isso serve de alerta para os manos e minas das periferias em geral, que se não entendermos a logica do sistema capitalista e se não lutarmos com coragem pra enfrentar a ordem burguesa, seremos um preto a menos na luta pela emancipação dos oprimidos e um preto a mais nas garras dos burgueses como Mv Bill é hoje.
Rodrigo integrante do grupo de rap (Ktarse) e militante do Coletivo Hip-Hop Livre.